Mário Guimarães

Captar sons em Cachoeira é sempre uma incógnita. Mesmo tendo escolhido captar
os sons sozinho do bairro do Caquende e da rua onde resido, foi uma surpresa, pelo
horário da gravação me deparar com tão poucos ruídos. O vento seria uma certeza,
por se tratar do alto da ladeira do assovio (Rua Tambor Soledade), e onde o vento é
quase uma presença constante. Mas consegui me afastar um pouco da rua e captar
o som de inúmeros grilos e também das conversas de pessoas vizinhas a minha
residência, a captação me pareceu descontraída e me trouxe a calma de um noite
quente de uma segunda feira em Cachoeira.
Gravei um segundo áudio sozinho, na orla do Rio Paraguaçu no bairro da Faceira e
próximo de onde se localiza a Pedra da Baleia, numa manhã de terça feira. A
variada gama de sons é notável, os cantos dos pássaros dominam a paisagem e a
gravação, mas também temos o som de vento que estava constante, sons de
motos, de galos pelas redondezas, das conversas dos pescadores na beira do rio e
também que dos transeuntes que estavam passando pela rua se destacam. Estava
sentado em um banco e movi meu corpo de maneira panorâmica para ter acesso
aos sons do local e evitar a frontalidade do vento.
O áudio gravado em grupo foi captado no Caquende, era um fim de tarde e nos
dividimos pelo bairro. Decidi gravar na Praça do Caquende, havia pessoas ali
conversando e crianças brincando, muitos sons de pássaros e também do
movimento de carros, além de um pouco de interferência do vento. Foi possível
captar o que seriam os sons da vida daquele lugar e suas características próprias.
(Grupo Caquende/Faceira)

por Mário Guimarães