Eu achei bastante interessante a experiência de cartografar uma parte de cachoeira. No início foi um
pouco complicado, por que eu e o meu grupo não estávamos conseguindo localizar a rua três riachos.
Tentamos perguntar para alguns moradores, colegas e também procuramos no google maps, mas não
estávamos conseguindo achar a localização exata da rua. A gente se dividiu em duplas, eu e Bel iríamos
pela manhã e tarde, e os meninos iriam pela noite. Eu e Bel marcamos de ir procurar a rua depois do
RU, a gente seguiu a dica de uma colega e procuramos a rua três bocas, ou invés de três riachos,
colocamos no google maps e fomos seguindo. Tava muito quente, e a gente andava e andava e não
chegava na rua, mas ao longo do caminho eu fui sentindo uma sensação de nostalgia, por que quando
eu era pequena eu ia muito em cachoeira com a minha família e eu comecei a reconhecer que a gente
passava bastante por aquela rua, e eu comecei a sentir a mesma sensação daquela época. Andamos
mais um pouco até encontrarmos uma moradora, e resolvemos perguntar pra ela onde era exatamente
a rua, já que tínhamos mais ou menos 15 minutos seguindo o caminho do aplicativo e ainda não
estávamos conseguindo localizar a rua, ela nos disse que a rua três riachos era um pouco mais pra
frente, e que teríamos que andar mais uns 10 minutos, mas que por ser uma rua um pouco perigosa
mesmo durante o dia, ela não recomendava a gente ir até lá sozinhas já que éramos duas mulheres e
não éramos moradoras da cidade. Então a gente começou a andar o caminho inteiro de volta, pensamos
até em gravar onde a gente estava mesmo, pra pelo menos ter algum material, mas preferimos voltar
pra sala mesmo, e por mais que tenha sido desgastante o caminho, até que acabou sendo um pouco
legal, a gente acabou conversando um pouco mais sobre coisas da vida e dos trabalhos que tínhamos
que fazer, encontramos umas flores lindas em uma casa no caminho, e por mais que o sol estivesse
muito quente, o clima ainda tava meio tranquilo, dava pra ouvir os pássaros cantando, pessoas
conversando e os carros passando, sons típicos de uma cidade pequena no meio da tarde. Quando
chegamos na sala, conversamos com os meninos e explicamos que não tínhamos conseguido achar a
rua, então eles sugeriram de gravarmos um pouco depois das americanas pra não ficar tão longe assim
e ser mais seguro. No intervalo, eu e Bel fomos de novo tentar gravar os sons, dessa vez a gente andou
o mesmo caminho, mas paramos um pouco antes, primeiro bel gravou os sons em frente a um
estabelecimento que parecia uma mecânica, tava tocando uma música e tinham várias pessoas
passando na rua, quando eu fui gravar tentei um lugar um pouco mais afastado da música, dava pra
ouvir um pouco mais as pessoas conversando, o trânsito e o vento. Como estávamos gravando com o
celular não houve estranhamento do público e conseguimos uma gravação mais natural, já que as
pessoas não sabiam que estávamos gravando, eu achei a tarde um pouco mais movimentada e agitada,
porém ainda tinha um pouco de calmaria. Pela manhã eu fui gravar sozinha, cheguei na faculdade,
deixei as minhas coisas e levei só o meu celular, parei um pouco depois do lugar que tínhamos gravado
pela tarde, pra ver se eu conseguia captar algo diferente, novamente como eu tava gravando com o
celular os sons eram mais orgânicos já que as pessoas não percebiam que eu estava gravando. Dessa
vez eu percebi uma atmosfera mais serena, por mais que permanecesse os sons dos carros e motos, e
das pessoas conversando, o som de fundo dos passarinhos cantando perto da árvore é o que prevalecia
e trazia um ar mais calmo, pessoalmente, eu preferi gravar esse som pela manhã, me lembrou muito os
sons que eu escutava sempre que eu ia pra escola bem cedo quando eu era menor. De uma forma geral,
por mais que tenha sido um pouco desgastante no início, principalmente pra conseguir achar a rua certa,
eu achei que foi uma atividade bem interessante por que obrigou a gente a estar totalmente presente no
momento e em silêncio, uma coisa que geralmente eu não faço no dia a dia, por que eu sempre vou
pros lugares correndo, já que eu quase sempre tô atrasada pra alguma coisa, e mesmo quando eu não
tô eu já fiquei acostumada a andar rápido naturalmente, ou eu sempre tô com fone de ouvido escutando
música pra qualquer lugar que eu vá, esse exercício me fez ter mais calma e perceber as coisas que me
rodeiam, de uma certa forma foi algo relaxante e também importante, por que me fez perceber o tanto
que eu tô vivendo no automático e apressada ultimamente, e que já virou até costume não notar as
pequenas coisas e sons no dia a dia.
por Nala Oliveira