José Lucas de Alencar Pereira

Relato de experiência – Cartografia Aural de Cachoeira

A experiência de cartografar os sons, em Cachoeira, me fez prestar atenção em coisas que
normalmente passam despercebidas quando estou andando pela cidade. No cotidiano,
geralmente atravesso os lugares pensando em chegar a algum destino. Da casa pro CAHL, do
CAHL pro R.U e vice-versa. Durante a atividade, precisei diminuir esse ritmo, permanecer
nos espaços e escutar o que acontecia ao meu redor. No início, pensei: o que seria interessante
gravar? Havia uma vontade de encontrar algo diferente, mas acabou que gravei algo muito
comum. Gravei o som de carros passando na rua, motos, buzinas…Uma das dificuldades foi
lidar com a imprevisibilidade da gravação. Nem sempre o som que chamava minha atenção
permanecia até o momento de começar a captar. Ouvi um cachorro latindo na rua, mas
quando cheguei para captar o som, ele parou de latir. Em outras situações, um som mais forte
dos carros passando na rua se sobrepunha ao que eu queria registrar.
Como foi no caso do bar, captei um senhor assistindo ao jornal pelo celular, o som do celular
e dos carros ficaram muito presentes nessa captação. Confesso, que depois que fui ouvir, me
estressei porque queria que tivesse ficado somente o som do celular. Percebi que gravar exige
uma atenção diferente daquela que tenho quando apenas escuto um lugar no dia a dia. Como
alguém que veio do Acre e passou a morar aqui para estudar, ainda estou construindo minha
relação com a cidade. Escutar seus sons foi também uma maneira de conhecer melhor o lugar
onde vivo e de perceber como vou me tornando familiar a ele.

Por José Lucas de Alencar Pereira